Vive-se para quê? Com que intuito? Nascemos, vivemos e morremos para quê? Passamos uma vida inteira a negligenciar quem verdadeiramente somos porquê? Jogamos fora os nossos sonhos porquê?

De que serve a vida ser vivida se sucumbimos à dificuldade de atingir as nossas necessidades de realização? Cedemos à pressão da sociedade, de pais e família, de namoros e casamentos, de amigos, de docentes, de colegas, de chefes, de meros estranhos porquê?

Não será talvez hora de largarmos as correntes que nos aprisionam à figura que os outros possuem de nós mesmos? Não será talvez momento para finalmente sermos nós a construir a nossa própria figura e imagem, em liberdade?

Vivi e vivo, ainda, acorrentado às opiniões dos outros sobre mim mesmo e ao medo de ser visto, e oprimido pela auto repressão que faço. É um processo longo e árduo de repente largarmos estas conceções dos outros face ao que nós mesmos somos, o que devemos fazer, o que podemos e não podemos sonhar. Mas, viver eternamente assim não será ser um preso condenado à morte por desistência?

A vida não são dois dias, é um dia que se repete infinitamente e algures a meio desse dia, algures a meio dessa vida havemos de perceber uma de duas coisas: somos um ato de rebeldia, de ousadia, de coragem e de resistência ao sermos quem queremos ser, ao fazermos o que queremos fazer ou somos um ato de cobardia, de vergonha, de medo por nem sequer tentarmos, por nem sequer darmos uma hipótese aos nossos sonhos de se realizarem.

A forma como escolhemos lidar com isso é que define a nossa vida. É possível viver mil vidas só numa, mas também é possível não viver sequer uma.

A questão não é ser ou não ser, sonhar ou não sonhar, a verdadeira questão é: Quando? Quando é que vamos despertar para o facto de que só temos esta oportunidade? Quando é que vamos acordar e perceber que aquele momento especial nunca mais será repetido, que aquele foi o último abraço, beijo, encontro, riso? Quando é que vamos acreditar que ser-se é um ato essencial para se cumprir a vida? Quando é que vamos perceber que não há vida sem sonhos, não há inovação e revoluções sem a imaginação?

Abril não se cumpriu por acaso, cumpriu-se devido ao sonho da liberdade e mesmo assim tardamos em aceitar que o nosso destino é esse tão precioso conceito, de se ser, de se amar, de se sonhar.

Não sou moralista, não sou experiente, não sou doutor. Sou apenas alguém que algures a meio do dia percebeu que ser e sonhar não é só um ato de coragem, é também um baixo assinado de que se está vivo.

A vida condiciona, impossibilita, dificulta, mas não é por isso que devemos desistir. A esperança nunca morre, pode estar murcha e em decadência mas nunca morre.

Cumpram-se a vocês mesmos, aos vossos sonhos e, sobretudo, à romântica mortalidade da humanidade.

Fotografia de capa por Clay Banks disponível em Unsplash

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