Este devaneio parte de Tóquio, um local distante, fora de mim, cuja existência não posso controlar, cujo desenrolar depende de outros, um deles o Henrique, que escolheu a capital japonesa como uma das suas palavras.

Talvez chegue a Tavira, talvez chegue a mim, mas se não chegar, em algum lado há de pousar, inclusive na areia da praia favorita da Filipa.

Porém, por agora, é apenas uma folha de papel a colocar numa garrafa de vidro e a jogar ao mar, na esperança de que com amor chegue aos seus destinatários, um deles sendo a Ana, cujo amor, força e são tudo o que um irmão mais novo poderia pedir.

A irmandade é um elo tão lindo, a de sangue ou qualquer outra, como afirma o próprio Henrique, que escolheu esta como uma das suas palavras também. No entanto, aqui destaco a de sangue, pela Ana e pela Núria, que, e usando o humor Gen Z da segunda, são ambas minhas twins, constantemente na mesma wavelength. (gen Z slang all the way.)

Penso que ser amável, como a Mónica escolheu definir-me, é possuir em si uma empatia genuína que não é fabricada industrialmente, e acredito ser esse o motivo que me permitiu tirar de um saco as palavras que me deram e fazer magia com o aleatório, sem muito pensar.

O foco não é em mim, é nas linhas invisíveis que permitem a este texto existir e que são uma bênção, uma das palavras escolhidas pela Ana, não a minha irmã.

Nem todos os nomes aqui mencionados se conhecem, nem toda a estrutura é ótima, nem todos os parágrafos fazem sentido num cômputo geral, mas foi natural, sem muito questionar e duvidar.

Apesar de persistente na minha procura pela perfeição, termino esta partilha com um conceito italiano, sprezzatura, e talvez a forma mais poética de expressar a serendipidade que a escolha destas duas palavras, efetuada pelo Bobi, causou em mim, dado o modo inesperado como me proporcionou um final perfeito.

A palavra sprezzatura vem do renascentismo italiano, expressando a arte de fazer com que algo difícil pareça fácil sem (aparente) esforço, uma certa elegância natural que esconde conscientemente o esforço exigido.

Há quem diga que é a arte de ocultar a arte, e é exatamente assim que termino, expressando o quão fácil é interligar cabos e nomes e palavras, criando uma harmonia de orquestra, quando a ideia central que as une e corre nas veias de tudo e todos é o amor.

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