O jardim, o museu e o centro de arte moderna da Gulbenkian são ricos em sonhos, histórias e memórias. São espaços, sobretudo o jardim, tirados de uma cena de cinema, onde a vida se desenrola, onde existe uma intimidade profunda entre desconhecidos cujo único ponto em comum é a Gulbenkian, um espaço acolhedor, seguro e de tremenda intelectualidade.

Contudo, todos esses espaços não me são íntimos, pelo menos na superficialidade das coisas.

Íntimos são me os bolseiros Gulbenkian, são me os seus nomes e histórias, os seus cursos e universidades. Íntimas são me as histórias do que já vivi enquanto bolseiro Gulbenkian. Íntimo é me o quarto 305 e os que lá estiveram, íntimo é me os dois fins de semana que já tive a oportunidade de passar na Fundação e a Conferência na Universidade do Algarve que tive o privilégio de ajudar a organizar. Íntima é me a equipa do Departamento de Ciência e Educação, liderada pelo excelente Luís Plácido dos Santos, que garante a eficiência e qualidade do programa de Bolsas Gulbenkian. Sem mencionar nomes, íntimas são me as pessoas que tornam a experiência de ser Bolseiro Gulbenkian a melhor decisão académica da minha vida.

No seio desta intimidade “gulbenkiana” existe algo que nos une como uma corrente, como um elo invisível que nos motiva a todos, que nos faz querer fazer mais e melhor.

Esse algo são os nossos sonhos e a nossa ousadia em sermos capazes de os cumprir num país cujo Ensino Superior está a definhar de talento por ser incapaz de financiar a educação dos mais carenciados.

É nestes casos, e não só, que aparecem as Fundações e foi assim que a Gulbenkian me conquistou, após as inúmeras vezes que vi o anúncio sobre as bolsas no Instagram há dois anos. Não acreditava em mim nem na minha capacidade de sonhar, mas sonhei, a medo, de pé atrás, sem grandes esperanças. A verdade é que cá estou, dois anos depois, como bolseiro e embaixador bolseiro da Fundação junto da Universidade do Algarve.

Como eu existem milhares de casos e em comum temos este orgulho da Fundação, esta bondosa vaidade de sabermos que nos foram depositadas em cima esperanças de no futuro podermos retribuir à Fundação, dando de volta diretamente ou, então, contribuindo para que o mundo seja um lugar melhor.

O grande legado da Gulbenkian é precisamente a sua capacidade em potencializar a formação de excelência a nível profissional e a nível humano. O legado da Gulbenkian não está no imperialismo da sua sede, da sua coleção de arte ou até mesmo no poder do seu nome, o seu legado está nas pessoas que forma e nas pessoas que usam essa formação para serem disruptivos e transformarem o presente à procura de um futuro melhor.

A Gulbenkian é sinónimo de diversidade, excelência e talento. Com a Fundação aprofundamos o pensar e trabalhar em equipa, o sonhar mais alto, o arriscar mais e o não ter medo de o fazer. Dou-vos como exemplo o meu caso, este projeto de escrita que iniciei, e onde estou a expor-me como nunca o pensei fazer devido ao medo de ser julgado e gozado, tem como principal culpado a Fundação, cujo apoio monetário através da bolsa de mérito permitiu-me tentar e arriscar.

A Gulbenkian é casa e será sempre casa. Numa sociedade onde suponho que em breve será crime público sonhar e apontar a voos mais altos, a Fundação apresenta-se como um pilar da luta, da resistência, da empatia e da filantropia característica do próprio senhor Calouste Gulbenkian.

A Gulbenkian é gigante, de espírito, de sonhos e de talento, e a Gulbenkian nunca irá falecer, pois haverá sempre sonhadores à procura de palco e a Gulbenkian é o palco perfeito para aqueles cuja rebeldia e ousadia em sonhar é um ato de resistência.

Uma vez bolseiro Gulbenkian, para sempre bolseiro Gulbenkian.

Se isto não vos diz tudo o que há a dizer sobre o que a Fundação é e representa no setor da Educação, então procurem por artistas, advogados, banqueiros, comediantes, diplomatas, economistas, engenheiros, músicos, profissionais de saúde e tantos outros bolseiros, e irão encontrar histórias por contar sobre o que é ser bolseiro Gulbenkian.

Eu, e repetindo o que já afirmei, fico-me por dizer que a Gulbenkian é casa e será sempre casa.

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