Apercebi-me, recentemente, que a Educação encontra-se num processo de morte assistida. Todos testemunhamos e nada fazemos, todos aparentemente nos preocupamos mas em nada ajudamos para combater esta deterioração da Educação. Somos todos cúmplices de uma morte por anunciar…
Não me refiro sequer aos grandes problemas do setor, como a falta de professores, as condições salariais desajustadas e a deterioração da relação docente e aluno. Refiro-me, sim, ao conceito de se ensinar com base num teste.
A cultura educacional portuguesa tem no seu centro a capacidade de um aluno sair-se bem numa avaliação. É uma falácia, até hipocrisia, dizer-se que o aluno está no centro do seu próprio processo de aprendizagem quando isto acontece. Vangloria-se mais uma nota num papel do que a fomentação do espírito crítico e o estímulo à criatividade…
Numa sociedade crescentemente dependente de plataformas de Inteligência Artificial é mais turva a linha que difere o conceito de inteligência entre alunos, e para mim torna-se insustentável basear-se todo um mecanismo de ensino numa nota ou avaliação.
Um excelente docente é aquele que cultiva um corpo de dois espíritos, artista e cientista. Um medíocre docente é aquele que nada faz senão enterrar a voz daqueles que ainda não sabem ter voz.
A Educação é o pilar para o crescimento e desenvolvimento do nosso país, e não pode num futuro a médio longo prazo continuar a ser povoada por quem a corrompe, incluindo os próprios políticos. Portugal não é nada sem a sua capacidade de formar e quando essa mesma capacidade começa a ganhar bolor perde-se gerações de intelecto e perdem-se potencias alavancas do crescimento futuro do país. Quando já se faz “muito com pouco”, continuar assim neste estado senil e ultrapassado é decretar ao suicídio qualquer tipo de esperança que possamos ter em nos afirmarmos como um pilar da União Europeia.
O sistema educacional português está baseado num rigoroso e padronizado currículo que assassina à raiz qualquer tipo de criatividade. Não há flexibilidade de ensino, não há espaço para pensar, refletir e criticar… Há, apenas, um grande sufoco à qualidade dos seres humanos que formamos.
Caminhamos para um deserto de ideias, de inovação e progresso, e uma fossa a céu aberto de apatia e desinteresse pelo saber, que já se evidencia…





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